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Companhia de teatro utiliza o sol para iluminar apresentações

Foto: Divulgação

A luz do sol é o que dá energia para os espetáculos do grupo artístico itinerante “Teatro a Bordo”. Com um contêiner, carinhosamente chamado de “caixola”, a companhia percorre o Brasil fazendo apresentações em diversas cidades.

 

Mas o diferencial dessa turma, não está nas viagens ao redor do país. Além de levar cultura pelas estradas, o grupo também transporta noções de sustentabilidade. É que toda a energia que eles utilizam é captada por meio de placas fotovoltaicas durante o dia, para ser utilizada durante as noites de apresentação. Talita Berthi, produtora da companhia, conta como a ideia de utilizar energia solar começou.

Um dos quesitos preocupantes pra gente era a questão da energia elétrica para abastecer esses equipamentos. A gente queria ter essa autonomia nos locais onde a gente chegava. Geralmente cidades rurais, bem distantes dos centros urbanos. E tínhamos essa dificuldade de carregar os equipamentos e utilizar a energia elétrica. E aí surgiu uma ideia, uma parceria também com o Instituto Ideal, de Florianópolis (SC), de equipar todo o teto do contêiner com as placas dos módulos fotovoltaicos. Então o caminhão quando está na estrada vai captando essa energia. Os raios solares entram pelas placas, e a gente consegue transformar isso em energia elétrica, e armazenar em baterias no caminhão. E assim a gente conseguiu deixar esse caminhão mais sustentável. Com essa energia solar, a gente consegue abastecer todo o sistema de iluminação do palco. Então foi um sonho realizado conseguir deixar o projeto mais autônomo e levar ele para qualquer local.

O projeto começou em 2007, mas foi em 2015 que eles passaram a utilizar a energia solar. Segundo eles, essa mudança ajudou não só na questão da diminuição de custos, mas também transformou os espetáculos da equipe.

 

“A gente consegue chegar em locais mais distantes, coisa que a gente não conseguia. Mas o olhar poético que a gente tem é outro agora. Porque é a luz que a gente capta durante o dia, a gente brinca que o sol chega durante o dia, e a gente armazena ele, para brilhar durante a noite. Então essa iluminação cênica, gerada através da luz do sol, é incrível. A gente consegue remeter nosso teatro, lá na época da comédia Dell'art no século XV na Europa – onde os atores e artistas utilizavam espelhos, refletiam o sol nos espelhos e direcionavam nas cenas, criando focos, os efeitos de luz. Então a gente brinca com isso e remete o nosso teatro de hoje a essa comédia Dell'art, utilizando o mesmo sol para iluminar nosso espetáculo. Então além de ter ampliado nosso acesso a outras comunidades, nossa criação artística ficou muito mais aguçada e interessante do que antes.”

 

Outro diferencial do Teatro a Bordo está nos estilo do público. Boa parte das cidades que eles visitam são pequenas, e uma grande parcela dos moradores, dificilmente tem a chance de assistir a esse tipo de programação. Por isso, os trabalhos dos atores não se limita apenas aos palcos.

A gente chega assim como o circo. Durante esses anos, a gente percebeu que era interessante ter esse envolvimento da comunidade, e não só chegar e se apresentar durante a noite, mas durante o dia, ir envolvendo a comunidade, chamando as crianças. Então a partir do inicio da tarde, nós já convidamos o publico a participar de oficinas interativas, onde a gente transforma materiais recicláveis em bonecos, numa oficina itinerante e interativa que a gente faz com as crianças. Depois convidamos os artistas da cidade para apresentarem seus espetáculos também no palco, que é uma forma de ter um intercambio cultural. Até por ter um contêiner que é esse objeto de trocas, a gente também leva nossa cultura, e traz a cultura da cidade onde a gente está se apresentando.”

Foto: Divulgação


E para estar há praticamente 10 anos na estrada, ter uma boa relação com o publico é fundamental. E Talita conta como é aproximação dos artistas com os espectadores.

 

“É um carinho muito grande. Nosso país é carente de muitas coisas, principalmente de cultura. Não só de espaços culturais, mas também de atividade culturais. E como a gente tem esse envolvimento com a comunidade durante todo o dia, então fica essa saudade. A gente cria um vínculo mesmo. A gente conhece as famílias, instalamos esse palco em praça publica e as famílias participam. Vem pai, mãe, crianças, avós, e ficam o dia inteiro com a gente ali, e criamos um laço de amizade. E depois eles vão nos acompanhando pelas redes sociais, querendo saber onde a gente está. E também o espetáculo que realizamos à noite, a cada cidade que vamos trazemos alguma história da cidade, algum lugar interessante, então a gente faz uma pesquisa e insere naquele espetáculo alguma história local. Então eles sentem participantes, e são mesmo. E a gente vai carregando um pedacinho de cada cidade conforme vamos itinerando por aí.”

 

Nestes primeiros meses do ano, a companhia não realizará espetáculos pelo Brasil. O período é usado para manutenções e programação de agendas. Mas a partir de abril, o “Teatro a Bordo” embarca novamente na “caixola” para levar cultura e sustentabilidade para mais de 26 cidades pelo país. Enquanto houver sol, haverão espetáculos.

Escrita por Welyton Manoel com a supervisão do jornalista Vacy Alvaro 

Última modificação em Quarta, 01 Fevereiro 2017 13:41
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