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Aquicultura: “Utilizamos apenas 20% do nosso potencial”, destaca Arcângelo Signor

O Brasil reúne condições favoráveis para a pesca e a aquicultura, o cultivo de organismos cujo ciclo de vida em condições naturais se dá total ou parcialmente em meio aquático, seja em água doce ou salgada. Para isso, temos uma costa marítima com longos 8.500 km de extensão, além de 12% da água doce disponível no planeta.

Para se ter uma ideia da importância dada á aquicultura, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) ela é considerada a atividade agropecuária mais rápida em termos de resultados produtivos e uma das poucas capazes de responder com folga ao crescimento populacional, o que pode contribuir para o combate à fome em todo o mundo.

Na série especial, conversamos com Arcângelo Signor, pós-doutor em Engenharia da Pesca e coordenador do curso de Engenharia de Aquicultura no Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Foz do Iguaçu. Ele comentou sobre todo esse potencial do setor e o desafio em desenvolver uma aquicultura sustentável, que gere renda sem prejuízos ambientais.

Arcângelo Signor, pós-doutor em Engenharia da Pesca e coordenador do curso de Engenharia de Aquicultura no Instituto Federal do Paraná (IFPR) – Campus Foz do Iguaçu


Web Rádio Água - O Brasil possui condições favoráveis para a aquicultura? Quais são as regiões que se destacam no setor?

Arcângelo Signor - O Brasil na verdade é um país de grandes dimensões. Temos um potencial imenso para a aquicultura e utilizamos em torno de 20% dos recursos que temos. Então temos um grande potencial para crescimento. Em função de ser um país tropical, há diversas regiões produtoras, com as suas características e especifidades. Por exemplo, a região Sul, pegando Rio Grande do Sul e Santa Catarina, temos uma região um pouco mais fria, então produzimos algumas espécies características, como por exemplo uma carpa, que é um peixe de clima mais frio, que se dá bem em temperaturas amenas. A região do Paraná, São Paulo e o Centro-Oeste já tem uma produção maior de tilápias. A região Oeste do Paraná é uma grande produtora de tilápias a nível nacional. Subindo para o lado do Mato Grosso, Rondônia… essa região já produz muito tambaqui, que são os famosos peixes redondos.. tambaqui, pacu, tabatinga, é bem regionalizado. Rondônia também tem uma produção grande de pirarucu, a região Nordeste produz tilápias e camarões. Santa Catarina produz muitos moluscos, como as ostras e mexilhões, que acaba tendo um comércio grande em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, onde há um grande comércio dessa produção de Santa Catarina. Existem os polos de produção. Lógico que dentro desses polos, alguns itens puxam a cadeia, como por exemplo as fábrica de rações e os frigoríficos que acabam incentivando a cadeia produtiva a se desenvolver.

WRA - Qual a importância da conservação da qualidade dessas águas para a prática da aquicultura?

AS - A água no sistema de aquicultura é a matéria-prima principal. Não adianta termos uma boa ração, uma boa genética, um bom manejo de outros itens se a nossa água não tiver qualidade. O item primordial para a aquicultura é a água. Então temos que cuidar e tratar a água muito bem dentro da aquicultura e até após fazermos o uso dela. Quando fazemos a captação da água, temos que captar uma água boa e devolver ela senão igual, de melhor qualidade para o ambiente (para os rios). Por que? Para baixo, no percurso do leito do rio, teremos outras atividades que já estão sendo desenvolvidas, seja ela dessedentação humana ou animal, ou até mesmo aquicultura novamente numa outra propriedade ou situação. Não é possível, não tem condições de termos uma boa produção senão tivermos uma qualidade de água. Sempre ressaltamos muito isso para os alunos em todas as disciplinas, porque em todas as etapas de produção temos que levar em consideração a água. É a matéria-prima onde o peixe está sobrevivendo. O peixe é um organismo aquático, que retira da água o oxigênio, por exemplo, então se tiver qualquer tipo de impacto ambiental o peixe não vai conseguir extrair da água o oxigênio que é fundamental para a vida. Isso pode levar ele a problemas de saúde ou mortalidade, que reflete lá no bolso do produtor. Então temos que ter a qualidade da água da melhor forma possível. Se não for uma água para a dessedentação humana, mas deve atender a outros requisitos, como oxigênio, nível de amônia, fósforo… Existe as legislações que enquadram isso. A resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que traz principalmente essas características de qualidade de água para produção aquícola. Não tem como termos uma produção aquícola sem ter uma água de qualidade.

Vocação nacional para a aquicultura: extensa costa marítima e 12% da água doce do planeta. Foto: Embrapa


WRA - Como é possível praticar uma aquicultura sustentável, que gere renda às famílias sem causar problemas ao meio ambiente?

AS - A aquicultura passa por diversos níveis de especificação, desde a aquicultura mais tradicional, em que temos poucos ou reduzimos ao máximo os impactos ambientais, até o nível industrial, em que temos maior produtividade por área. Hoje sempre recomendamos que seja uma aquicultura sustentável aquela que permita uma geração de renda, seja ela complementar ou principal da propriedade. Hoje a aquicultura tem demonstrado bons lucros e rendimentos econômicos sem agredir o meio ambiente. Dentro da agressão ao meio ambiente, podemos citar dois exemplos. Da produção de espécies exóticas ao cultivo, por exemplo o pirarucu (que não é da nossa bacia) então isso é um problema e o IBAMA restringe muito esse uso das espécies, e também o impacto ambiental direto que são os resíduos da aquicultura. Então, aquela sobra que fica no fundo do viveiro, quando se faz uma despesca, acaba sendo lançado ao meio ambiente. Embora recomendamos muito os tanques de decantação. São tanques em que, a partir do momento que você faz uma despesca, a água não vai mais diretamente para o rio. Ela permanece dentro da propriedade no tanque. Nesse tanque, toda essa partícula/matéria orgânica decanta, ou seja, permanece na propriedade, e depois é liberada a água. Esse resíduo que sobra, pode ser utilizado para irrigação ou diversas outras atividades porque são excelentes fontes de nitrogênio e fósforo. Então são excelentes adubações principalmente para pastagem, agricultura… Então a gente consegui produzir hoje de forma sustentável sim.

WRA - O Oeste do Paraná vem se desenvolvendo consideravelmente no setor, muito disso graças à expansão das infraestruturas das cooperativas. A região pode apostar na aquicultura?

AS - A região Oeste do Paraná é uma das regiões pioneiras no sistema de integração a nível de Brasil. A nível nacional, temos algumas empresas que fecharam o sistema de produção. Por exemplo, em São Paulo tem algumas empresas que tem estações de reprodução, fábrica de ração e frigorífico. Então, uma única empresa que fechou toda a cadeia produtiva. No caso da região Oeste do Paraná estamos entrando com as cooperativas. A Copacol foi a primeira e possui um sistema integrado em que fornece a forma jovem (os alevinos), ração, assistência técnica e faz o processamento do pescado, ou seja, a despesca e a comercialização, e o produtor tem uma remuneração por quilo de produção. A C.Vale também entrou no mercado de produção de peixes. Eles estão com o frigorífico quase pronto. Já tem peixes alojados, que já estão em sistema de cultivo para iniciar os abates esse ano também. Temos um grande potencial porque a região é rica na parte de produtos de origem vegetal (grãos como milho e soja), e em função de ter uma característica muito forte na parte de suínos e aves, temos uma farinha de origem animal que também utilizamos principalmente na ração. Então temos um crescimento ainda a ser explorado.

Atualmente, há mais de 850 pescadores residentes entre Foz do Iguaçu e Guaíra. Foto: Itaipu Binacional

WRA – Quais são os principais conhecimentos repassados aos alunos dos cursos de Aquicultura ofertados pelo IFPR?

AS - Nós temos o Curso Técnico em Aquicultura e o Curso de Nível Superior em Engenharia (de Aquicultura). Eles atuam principalmente nas áreas de produção de organismos aquáticos, como peixes e camarões em água doce, e outros organismos em ambiente marinho, como moluscos, crustáceos, camarões de água salgada, ostras, mexilhões e outros peixes. Esses alguns pontos que abordamos dentro do curso, que tem algumas outras ações como manejos adequados dos ambientes aquícolas, reservas, questões do Código Florestal, legislação e também temos um curso a parte de processamento das indústrias. Enfim, é um curso bem completo que oferecermos à comunidade em geral.

Ensino técnico e superior: educação como base para a prática de uma aquicultura mais sustentável. Foto: IFPR/Foz
 
Última modificação em Sexta, 24 Março 2017 11:25
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Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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