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Caatinga: A seca que traz vida

Mais de 27 milhões de pessoas habitam a região do bioma. Foto: Adriano Gambarini




É até curioso pensar que essa afirmação represente um bioma tão importante e único para o Brasil. Em um primeiro momento, ao falarmos de Caatinga, a imagem que vem à cabeça é aquela da literatura e do cinema nacional: sertão, sol forte e muita luta pela sobrevivência. Sobrevivência que faz parte da rotina dos 27 milhões de moradores que, com esforço, permanecem no semiárido com cerca de 8 mil km² que segue por nove estados do brasileiros.

Mas há muito mais para se encontrar nas terras secas do bioma. Principalmente quando olhamos para a fauna da região. Raposa da Caatinga, jaguarundi, jaguatirica, gato-do-mato e tamanduá são importantes espécies que sobrevivem em meio ao xiquexique e o mandacaru, e caminham pelos solos pedregosos, dando vida para o local onde os espinhos e árvores sem folhas tentam dar uma impressão contrária a essa.

Bioma tem cerca de 8 mil km² e segue por nove estados brasileiros. Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação - PAN BRASIL - SEDR/MMA


E foi tentando mostrar essa identidade para o País e investigar como era a vida dos animais da região, que um grupo de quatro amigos se reuniu para criar o projeto Bichos da Caatinga. Logo nos primeiros resultados, notaram que apesar de não receber o mesmo tratamento que outros biomas, a Caatinga precisa conviver com os mesmos problemas dos demais. Quem afirma é Pablo Ricardo, gestor ambiental do projeto.

“No caso desses três principais felinos que eu comentei, nós temos o caso do jaguarundi – chamado de gato mourisco, que é considerado como vulnerável pela Lista Vermelha (da União Internacional para a Conservação). O IBAMA tem a listagem e coloca esse felino um animal que está em risco de ser extinto em breve. Um dos motivos vem a ser a questão do desequilíbrio. Muitas não é nem a caça de matarem esse animal, mas matarem o alimento desse animal, os animais de menor porte. E isso termina causando esse desequilíbrio. Um exemplo: no lugar de ter três crias, as vezes dessas três uma escapa ou nenhuma das três escapa, pode ser com fome ou com sede. Então esse desequilíbrio da caça, que o pessoal vai caçando a presa desse felino e aí junta esse outro fator que é esses anos todos de seca, que terminou intensificando esse problema, esse desequilíbrio todo.”

O gestor do projeto, Bruno Bezerra, também comenta sobre os problemas que a caça predatória vem causando na região, principalmente em relação às aves.

“A gente começa a ter certeza de algumas ameaças que as observações começam a nos relatar. Por exemplo: nós temos hoje um dos animais mais ameaçados do mundo de extinção, que é a ararinha-azul. Está sendo feito um trabalho muito legal na Bahia para tentar reintroduzir esse animal na natureza. Mas nós temos também uma outra ave muito típica, muito característica aqui da Caatinga, que é o azulão. Ele tem um canto muito bonito e em algumas regiões já está desaparecendo por conta da caça para comercialização no mercado negro de aves silvestres. Eles possuem um canto muito harmonioso e muito bonito, e chegam a verdadeiras fortunas por uma ave dessas, quando ela está bem de saúde, cantando bem. Chegam a pagar um bom dinheiro e isso alimenta todo um comércio ilegal. A gente procura conscientizar as pessoas, de que o lugar de ave é livre. Na natureza voando e cantando. E se você manter no seu quintal, comida e água, ele vai chegar, cantar para você, sem precisar ficar numa gaiola.”

No projeto, os pesquisadores escolheram pontos para a instalação de equipamentos que monitoram a vida de alguns desse animais. E o trabalho não é simples, visto que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, a Caatinga possui mais de 1200 espécies, entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes. Dessas, 327 são exclusivas da região, demonstrando mais uma vez a riqueza em biodiversidade da região.

“O projeto Bichos da Caatinga tem monitorado algumas regiões, sobretudo com mata mais preservada na divisa entre os estados de Pernambuco e Paraíba. E o projeto tem tido algumas gratas surpresas, como encontrar em uma mesma área o jaguarundi, a jaguatirica e o gato-do-mato. Encontramos também em outra área, o tamanduá mirim, que também é muito raro e muito procurado por caçadores. E a gente vem ficando surpreso com a biodiversidade muito rica da Caatinga, mesmo vivenciando o sexto ano consecutivo de uma das secas mais devastadoras de todos os tempos, mesmo com a crescente caça e desmatamento, a fauna da caatinga continua resistente.”

Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Foto: Adriano Gambarini


Além de representar vida, as terras secas da Caatinga representam também a perseverança, a força e a luta. Os córregos secos e as paisagens desmatadas são os símbolos de uma população, tanto humana quanto animal, que busca a adaptação, reconhecimento e tem a esperança renovada a cada período chuvoso.

“É uma coisa incrível. Uma coisa bonita de ser ver. Agora nós estamos fazendo um monitoramento na região e choveu por lá e já mudou completamente o clima e a vegetação, começamos a ver também um número maior de animais. Você vê a a alegria do lugar quando chega o período chuvoso. Mas com tudo isso é muito diferente do período de chuva do Pantanal, do período de chuva da Amazônia, da Mata Atlântica. Quando o assunto é água, tudo na Caatinga é resumido. Mas ainda sim os animais são bem adaptados, também como as pessoas que ao longo de décadas, ao longo dos anos, foram se adaptando a viver com escassez de água. A gente consegue encontrar animais, o que nos anima a continuarmos o trabalho. Animais que não esperávamos encontrar em algumas regiões em função do grande desmatamento, mas encontramos eles bem de saúde, até porque podemos encontrar alguns animais magros, mal-tratados, sem uma condição de vida e saúde boa, mas esses estão bem de saúde, sobrevivendo a esse clima árido, mas conseguindo manter a espécie ali.”

Para os gestores do projeto, o primeiro passo para mudar tudo isso é a educação: mostrando que o que está na natureza deve ficar na natureza; evitando a caça e a comercialização de animais; e conscientizando sobre o problema causado pelo desmatamento.

*Com a supervisão do jornalista Vacy Alvaro

 

Última modificação em Terça, 02 Maio 2017 21:00
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