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Jardins do Mel: abelhas nativas serão espalhadas em Parques de Curitiba

Ao todo, o projeto pretende colocar 90 caixas (colmeias), cada uma delas com de 500 a 2 mil abelhas em 15 parques de Curitiba (PR). Imagem: Barbara Becker Arquitetura.
Nos últimos anos, o desaparecimento das abelhas vem preocupando a comunidade científica internacional. Algumas hipóteses até ajudam a explicar o declínio – como o uso de pesticidas e a Síndrome do Colapso das Abelhas (um abandono repentino e massivo de colmeias) – porém ainda não há uma justificativa plena sobre o assunto. No Brasil, soma-se ainda o problema da seca que atinge principalmente a região Nordeste.

O que pouca gente se dá conta é que, apesar de pequenas, as abelhas são consideradas importantíssimas para o equilíbrio ambiental. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), elas são responsáveis por pelo menos um terço da produção mundial de alimentos. Sem elas, não falta apenas mel, mas o trabalho de polinização tão essencial para a reprodução e manutenção da variabilidade genética das plantas e do equilíbrio da biodiversidade.

Em Curitiba (PR), uma iniciativa promete diminuir o problema. Para promover a polinização natural na cidade, o projeto Jardins do Mel deve ser instalado em 15 parques da capital paranaense. A ideia é espalhar abelhas de espécies nativas sem ferrão. A ação também deve ter um viés educacional, com a utilização de jogos didáticos que abordem a importância da preservação dos rios, compostagem e a prática da agricultura orgânica para a conservação das abelhas.

Prefeito de Curitiba (PR), Rafael Greca, durante reunião com Felipe Thiago de Jesus e Meila Fabri, sócios da emrpresa Meliponas. Foto: Pedro Ribas/SMCS

Cada jardim terá seis colmeias com textos e fotos sobre a espécie contida ali. Ao todo, o projeto pretende colocar 90 caixas (colmeias), cada uma delas com de 500 a 2 mil abelhas. As colmeias serão protegidas para evitar depredação, mas abertas, desta maneira, os insetos poderão ir e vir para polinizar a mata nativa da região, conforme explica o agroecólogo e idealizador da iniciativa Felipe Thiago de Jesus:

“O projeto vai ser simples, em 15 parques ou bosques da cidade. Essas caixas (de colmeia) serão georreferenciadas em um mapa da cidade. Cada Jardim do Mel, que contém 4 a seis caixas dentro, de espécies diferentes, vão polinizar mais de dois quilômetros. A população civil e as empresas também poderá se cadastrar nesse mapa quando também forem 'guardiões'. Dentro dos Faróis do Saber, a ideia é oferecer o curso de meliponicultura. Em cada região terá um curso oferecido para o pessoal, como os próprios professores, a comunidade e quem quiser participar. Estes serão eleitos os 'guardiões do parque', ajudando a cuidar das caixinhas e fiscalizar. A pessoa pode não ter uma caixinha de abelha, mas plantar uma flor no seu quintal para ajudar as abelhinhas na passagem delas. Essa é a ideia do projeto. Foi produzido também um material didático para as crianças, com jogos e brincadeiras que contam a história da cidade, conceitos de agricultura orgânica, a importância de não poluir os rios, do saneamento, e temos a intenção de expandir o projeto para outras cidades”.

Para promover a polinização natural na cidade, o projeto Jardins do Mel deve ser instalado em 15 parques da capital paranaense. Imagem: Barbara Becker Arquitetura.

Existem cerca de 25 mil espécies de abelhas catalogadas no planeta. Destas, 88% tem hábitos solitários e as demais 12% são divididas em outros grupos. Entre elas, as meliponídeas, abelhas nativas sem ferrão. No mundo todo, há 400 espécies de meliponídeas e 300 delas estão no Brasil, porém são pouco conhecidas.

“Primeiramente é tornar a sociedade mais consciente das relações, da onde vai e para onde vai no caso das abelhas. Como um inseto tão pequeno pode refletir na qualidade da água, na qualidade do alimento, produzir um mel, produzir um própolis. E o serviço de polinização é essencial para regular o planeta. E nós ainda temos chance de cuidar disso enquanto há tempo. Em alguns países, isso já não é mais possível. Os Estados Unidos, por exemplo, alugam colmeias do México. No Japão, existem alguns casos de polinização manual, porque não tem mais abelhas. Então temos um tesouro, que ainda precisa ser lapidado por nós. Existem 400 espécies de abelhas sem ferrão no mundo, e 300 estão aqui no Brasil, e nós nem sabíamos.”

Entre os parques já confirmados para receber a novidade estão Jardim Botânico, Tingui, Tanguá, Passeio Público, Jardim Zoológico, Barreirinha, Barigui e Bosque do Papa. Para quem não estiver em Curitiba, o Jardins do Mel terá um website e um aplicativo, que mostrarão a localização das colmeias e todas as informações disponibilizadas nos parques da cidade.

Como prova da importância das abelhas para o Paraná, recentemente a Associação de Meliponicultores de Mandirituba (Amamel), Região Metropolitana de Curitiba, obteve oficialmente uma certificação do Serviço de Inspeção Federal que permitirá a comercialização, em locais públicos, do mel produzido pelas abelhas nativas sem ferrão.
Última modificação em Sexta, 26 Maio 2017 13:29
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Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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