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Ex-ministro defende que Brasil deve assumir liderança nas discussões sobre mudanças climáticas

José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e ex-ministro do Meio Ambiente. Reprodução/TV Senado
Durante sessão da Comissão Mista Permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) no Senado Federal, o presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e ex-ministro do Meio Ambiente, José Goldemberg, defendeu a realização no Brasil de uma reunião de chefes de estado dos principais países emissores de gases estufa.

A ideia é reafirmar o que se avançou em 1992 no Rio de Janeiro e em Paris em 2015. Goldemberg destacou que a Conferência de Paris coroou o sucesso inicial da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio 92) e que nem mesmo a posição do presidente dos Estados Unidos vai impedir que os compromissos lá assumidos sejam atingidos.

“A adoção da Convenção do Clima em 1972 faz parte de um longo caminho seguido pela humanidade para achegar onde estamos hoje: 7 bilhões de seres humanos, com nível de vida razoável que fez com que a idade média de vida tenha atingido 70 anos. Há um século atrás era metade disto. Este progresso só ocorreu graças a avanços científicos e técnicos que deram origem a políticas públicas saudáveis.

Os romanos, há mais de 2000 anos, parecem ser os que primeiro entenderam isso ao garantir à cidade água corrente e um sistema de esgotos exemplar. Sem tais medidas, Roma não teria se tornado a maior cidade do Ocidente com mais de um milhão de habitantes.
Após a revolução industrial no século 19 o problema passou a ser a qualidade do ar que só começou a ser resolvido a partir de 1972 após a Conferência de Estocolmo. Foi dela que surgiram os Ministérios de Meio e Ambiente no mundo todo.

Sem água, ar limpo e esgoto, cidades não são viáveis, e hoje mais de 70% da população mundial vive em zonas urbanas. Todos estes problemas podem ser atacados e resolvidos a nível local, regional e nacional. Sucede que no fim do século 20 foi identificado cientificamente um novo problema: o aquecimento global, provocado pelas emissões de gases resultantes principalmente da queima de combustíveis fósseis.

Estes gases não conhecem fronteiras e os problemas que causam só podem ser atacados a nível internacional. Isto é o que a Convenção do Clima de 1992 no Rio de Janeiro tentou fazer.

O Governo brasileiro sob a presidência de José Sarney inicialmente e Fernando Collor logo a seguir, assumiram logo um papel importante nas negociações que precederam a Conferência. Durante o período militar era dominante a ideia que preocupações ambientais eram secundárias e que a prioridade era o desenvolvimento mesmo que predatório, afetando inclusive a floresta amazônica. Visões correntes na época eram a de que os países industrializados é que eram os responsáveis históricos pelas emissões e deveriam arcar com os custos da sua redução nos demais países. Esta é ainda a visão de alguns países menos desenvolvidos.

O Presidente Collor teve o mérito de ter conseguido atrair ao Rio de Janeiro em 1992 mais de 150 chefes de estado que sinalizaram de forma inequívoca o caminho a seguir que era o de promover um desenvolvimento moderno e pouco poluente.

Tive o privilégio de participar deste esforço como Secretário de Meio Ambiente da Presidência da República junto com o Secretário Geral do Itamaraty, Marcos Azambuja. Numa missão fui à Washington, Nova Déli, Tóquio e Beijing convencer os chefes de Estado da importância da Convenção do Clima o que na época não foi uma tarefa trivial, mas que teve sucesso.

Passados 25 anos, a Conferência de Paris de 2015 coroou o sucesso inicial da Conferência Rio-92 e nem mesmo a posição anticientífica do presidente dos Estados Unidos vai impedir que os compromissos lá assumidos sejam atingidos. O Acordo de Paris é um acordo estre países adultos e responsáveis que voluntariamente decidiram que reduzir as emissões serve o interesse nacional e como fazê-lo.

Neste contexto, tomo a liberdade de mencionar que uma ideia que seria interessante seria convidar os chefes de estado dos principais emissores (China, Índia, Japão, Inglaterra, África do Sul e Indonésia) ao Rio de Janeiro, como foi feito em 1992, para reafirmar o que se alcançou em 1992 e em Paris em 2015. Esta seria uma forma do Brasil voltar a assumir uma posição de liderança nesta área, como ocupou em 1992”.

A sessão no Senado contou com a presença de Marcos Azambuja (ex-embaixador do Brasil na França e coordenador da a Rio-92), de Carlos Moreira Garcia (ex-embaixador do Brasil na Espanha).

(Com informações da FAPESP e do Senado)
Última modificação em Segunda, 19 Junho 2017 11:59
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Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu

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