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Cooperação: brasileiros capacitam paraguaios sobre ferramentas para gestão dos recursos hídricos

Técnicos do Centro Internacional de Hidroinformática auxiliam os cursistas durante capacitação. (Foto: Kiko Sierich)

O Parque Tecnológico Itaipu (PTI) recebeu, na última semana, uma comitiva de profissionais paraguaios que participaram de uma capacitação sobre Hidroinformática, promovida através da parceria entre o Centro Internacional de Hidroinformática (CIH) e a Agência Nacional de Águas (ANA).

Durante 5 dias de programação, 21 cursistas oriundos de diversas instituições do Paraguai participaram de oficinas que abordaram temas como: Noções gerais de Sistema de Informações e Sistema de Informações Geográficas, Infraestrutura de dados Espaciais, Sistema de Codificação Otto e modelo de estruturação da base Ottocodificada, Análise de informações hidrológicas e subsídios ao balanço hídrico e Sistema Nacional de Recursos Hídricos – SNIRH e sua arquitetura.

A formação faz parte da Cooperação Brasil-Paraguai da Agência Nacional de Águas (ANA), conforme explicou o especialista em Geoprocessamento da ANA, Alexandre Amorim:

“A ANA, dentro da Assessoria Internacional, tem desenvolvido vários trabalhos em conjunto com outros países da América Latina. Um deles é o Paraguai, vai vir também a Nicarágua, Peru e Honduras. Devido as dimensões continentais do Brasil, a gente tem esse grande desafio de fazer a gestão dos recursos hídricos por que as bacias hidrográficas não estão limitadas aos estados ou ao próprio Brasil. Então, a ANA atua justamente nas bacias que são federais, ou seja, as bacias que cruzam mais de um estado ou no caso aqui, por exemplo, as bacias que cruzam o Brasil com o Paraguai. Então tem que ser focado justamente nessa gestão dos recursos hídricos entre os entes. Entre as instituições. Seja Brasil e Paraguai ou estados diferentes”.

Amorim também foi responsável por apresentar um conjunto de ferramentas desenvolvidas dentro de uma extensão para banco de dados, chamada PgHydro. O objetivo é a geração de mapas que irão auxiliar na tomada de decisões sobre uma bacia hidrográfica:

“Então, basicamente nós temos as informações que são os rios que são mapeados a partir de mapeamento cartográfico e a gente gera as bacias hidrográficas também. Então a gente junta essas informações e gera outras informações pré-processados que vão ajudá-los a tomar decisões, por exemplo: saber quanto de área amontante, área acima do rio, que a gente tem e por meio disso tem como saber as principais informações que estão acima e abaixo do rio. Isso impacta todos os usuários da bacia por que todos usam a hidrografia como referência. É importante você saber que está acima e quem está abaixo do rio, se está lançando ou captando água, se está lançando esgoto, por exemplo. Is so interferir diretamente no usuário que está mais abaixo ou mais acima do rio”.

Ao todo, foram 05 dias de capacitações divididas em diversos módulos. (Foto: Kiko Sierich)

Outra tecnologia apresentada foi a FERA – um conjunto de plugins que podem ser adicionados ao Sistema de Informações Geográficas Open Jumping gerando funcionalidades para realização de estudos geográficos que vão desde o acesso às informações da base de dados, modelos hidrológicos, análise de eventos extremos, entre outros. Saulo Aires de Souza, especialista em recursos hídricos da ANA, comentou a importância da ferramenta para o monitoramento hidrológico do País vizinho:

“Eles poderiam utilizar esta ferramenta para diversos estudos hidrológicos. O que a gente observou é que eles são muito carentes em termos de ferramentas. Eles até estão avançando no monitoramento hidrológico, mas eles não têm ainda a expertise em sair do dado para a informação. E é isso que essa ferramenta pode contribuir nesse processo de ao coletar uma informação, como lapidar esse diamante para chegar na informação e aí sim, fazer a gestão adequada e integrada dos recursos hídricos”.

De acordo com o gerente do Centro internacional de Hidroinformática, Willbur Souza, a cooperação irá fortalecer o intercâmbio de conhecimento entre os países envolvidos:

“Na verdade é um atendimento à cooperação Brasil-Paraguai da Agência Nacional de Águas com CIH e PTI. Então isso proporciona que a gente consiga transmitir o conhecimento que a gente vem desenvolvendo aqui no Centro Internacional de Hidroinformática, desde 2007, também para o Paraguai. Então, isso faz que a gente capacite os técnicos deles para que eles possam aprimorar a questão de planejamento envolvendo recursos hídricos; a gente consiga transmitir toda nossa lógica de software livre para que isso seja algo do cotidiano de trabalho por parte da equipe paraguaia. Por um outro lado, é uma possibilidade de nós – enquanto Centro, enquanto Agência Nacional de Águas – também aprender um pouquinho com o que é desenvolvido no Paraguai. Eles já vêm trabalhando nessas questões de planejamento envolvendo recursos hídricos. Então na verdade o que é uma capacitação acaba tornando-se uma forma de intercâmbio de ideia, de experiências… até mesmo para que a gente possa aprimorar nossos trabalhos”.

Os cursistas paraguaios aprenderam na prática o uso de ferramentas para gestão dos recursos hídricos. (Foto: Kiko Sierich)

Janete Cabrera, que atua na Entidad Binacional Yacyreta – uma central hidrelétrica que resulta da parceria entre o Paraguai e Argentina e está construída sobre os saltos de Yacyretá-Apipé, no rio Paraná – destacou que após a capacitação, serão analisadas as possibilidades de substituição do uso de ferramentas pagas por ferramentas de software livre:

“São ferramentas poderosas de software livre. Então são muito importantes pois cada instituição pode fazer o seu desenvolvimento, adequando para suas necessidades. Acredito que esta é a ideia que todos nós que viemos de outras instituições estamos levando”.
Última modificação em Quinta, 28 Setembro 2017 15:20
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