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Lideranças do Oeste do Paraná iniciam formação sobre sustentabilidade urbana

Até julho de 2018, um grupo formado por gestores, técnicos e representantes de instituições e de prefeituras da região vai estar focado no desenvolvimento sustentável do território urbano do Oeste do Paraná. Na última segunda-feira (11), eles iniciaram uma formação relacionada ao tema no Parque Tecnológico Itaipu (PTI).

Este é apenas o primeiro de cinco módulos previstos pelo programa que tem um conteúdo programático de 400 horas de atividades presenciais, além de outras promovidas na modalidade online. A formação é uma iniciativa do PTI, por meio da Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) e de duas instituições francesas: a Universidade de Tecnologia de Compiègne (UTC) e a Escola Nacional Superior de Arquitetura de Nantes (ENSA - Nantes).

Os módulos são divididos em duas etapas de 40 horas de trabalho presencial, sendo a primeira parte dedicada ao diagnóstico, e a segunda, à preposição de uma solução aplicável. Neste primeiro módulo, que segue até sexta-feira (15), o tema discutido está sendo a Atratividade Urbana, tendo como case Foz do Iguaçu. O objetivo é buscar maneiras de consolidar a região como um polo global de tecnologias sustentáveis. Ao final da formação, os participantes estarão capacitados para elaborar projetos utilizando preceitos de sustentabilidade com base em referências internacionais já consolidadas.

Entre 2015 e 2016, um projeto semelhante foi realizado, com sucesso, na Região Metropolitana de Curitiba, conforme explica Celso Kloss, diretor superintendente da Unilivre:

“Esse é um projeto que nós já desenvolvemos anteriormente pela Unilivre na Região Metropolitana de Curitiba, onde todos os aspectos relacionados ao desenvolvimento sustentável na região metropolitana foram discutidos. A oportunidade com o PTI surgiu em função exatamente disso. Aqui no Oeste do Paraná, vocês tem um projeto bastante amplo, que é o Programa Oeste em Desenvolvimento, que tem como pano de fundo a mesma proposta, que é proporcionar um desenvolvimento regional integrado. O PTI e a Itaipu são lideranças na região, e o que a gente percebe é que no Oeste as competências se complementam, então acho que o terreno aqui é bem fértil para que a gente possa desenvolver o mesmo modelo.”



A metodologia utilizada, apesar de criada ainda na década 1970, é considerada inovadora por utilizar cases reais dos municípios durante a construção coletiva. Carlos Sérgio Asinelli, diretor da Câmara de Comércio França-Brasil do Paraná e consultor da Unilivre, participou destas atividades na capital paranaense e ressalta as potencialidades do Oeste do Estado:

“Os alunos aprendem fazendo. É uma construção coletiva do grupo e, pelo fato do grupo ser sempre multi-formação (temos engenheiros, arquitetos, urbanistas, sociólogos, economistas, administradores...) a solução que sai de um grupo multidisciplinar é muito mais completa do que uma solução que teria origem em um grupo só de engenheiros ou só de arquitetos. Lá na região metropolitana de Curitiba, analisamos cinco problemas da região, e as soluções foram tão criativas e tão interessantes que os prefeitos dos municípios nos quais foi feito o laboratório do estudo, resolveram adotar essa solução em seus planos de governo, tamanho foi o acerto dessas propostas colocadas pelo grupo. Como a região Oeste é uma das regiões mais dinâmicas do Brasil, e talvez do mundo, pelas suas características, pela série de ativos que ela tem e diferenciais, nós resolvemos pegar não cinco problemas, mas sim duas grandes oportunidades e três problemas”.

O desenvolvimento da região foi o grande motivador para a criação do Parque Tecnológico Itaipu (PTI) em 2003 a partir da ampliação da missão da Itaipu Binacional. Durante a formação, o diretor técnico do Parque, Claudio Osako, citou a evolução do PTI ao longo de sua trajetória.

“Em algum momento da linha do tempo da usina (Itaipu), o desafio do Parque era quebrar essa dependência tecnológica. E isso temos feito. Já conseguimos entregar alguns sistemas e equipamentos, que foram demandados pela área técnica de Itaipu, que foram desenvolvidos no PTI e estão lá na usina. Todos os testes, ensaios e requisitos que Itaipu colocaria para qualquer fabricante, conseguimos passar. A partir do momento que conseguimos vencer essas etapas, isso nos credenciou como parque tecnológico para atender o setor elétrico nacional. Ou seja, aos poucos, vamos conseguindo formar pessoas e estruturar laboratórios que sejam capazes de atender a essas demandas. Se deixássemos o fluxo normal, essas demandas continuariam sendo atendidas por empresas estrangeiras.”

Entre os temas abordados durante a formação, dois tem relação direta com as questões ambientais: o desafio dos resíduos sólidos e os riscos urbanos, com maneiras de como mitigar ameaças ligadas à água e ao solo. Cláudia Enrech, diretora adjunta da ENSA, comenta sobre a metodologia aplicada e o cronograma das atividades:

“O método pedagógico é ter como ponto de partida uma encomenda real do território, das cidades que entraram nesse 'jogo' e fizeram essa encomenda. E os alunos vão atender essas encomendas. Nesse ano de curso, o primeiro módulo será atratividade urbana; o segundo, a questão da eficácia da implementação de políticas e projetos urbanos; o terceiro, um trabalho sobre a mobilidade urbana; o quarto, resíduos; e o último é uma questão relacionada a riscos urbanos.”



A urbanista francesa Emmanuelle Quiniou, que possui uma vasta experiência sobretudo na área de ordenamento territorial, conta sobre a expectativa para a formação:

“A minha principal expectativa é que, além da expertise que vamos tentar transmitir em elementos metodológicos e modos operacionais - os quais eles vão trabalhar para que possam ter um ganho em termos de confiança e competência em relação aos seus saberes e às suas ações futuras no âmbito de suas missões profissionais – para que eles possam, na realidade, crescer com isso. Eu estou atuando pela primeira vez nesse território, e para mim é uma folha de papel em branco”.

Mais do que um olhar técnico, as cinco temáticas abordadas durante a formação devem se desdobrar em muitas outras questões, como aspectos jurídicos, sociais, culturais, ambientais e econômicos. O próximo módulo, cujo tema será a eficácia da implementação de políticas e projetos urbanos, será realizado em Foz do Iguaçu (PR), em outubro.
Última modificação em Quarta, 13 Setembro 2017 16:57
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Vacy Alvaro

Jornalista/Fundação Parque Tecnológico Itaipu
 
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