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Dois anos após a tragédia, recuperação ambiental de Mariana é feita lentamente

Christophe Simon / AFP / Getty Images
Cinco de novembro de 2015. Infelizmente, uma data que será lembrada para sempre por conta da maior tragédia ambiental do Brasil. Neste dia, duas barragens da mineradora Samarco se romperam na cidade de Mariana, em Minas Gerais, e cerca de 39,2 milhões de m³ de rejeitos de minério se transformaram em uma lama que percorreu 650 quilômetros de rios, incluindo áreas de preservação permanente.


(foto: Douglas Magno/AFP Photo )

O “mar de lama” gerado pelo rompimento da barragem do Fundão deixou cerca de 300 famílias desalojadas e os rastros se alastraram de Minas Gerais ao Espírito Santo. O distrito de Bento Rodrigues, considerado histórico por conta dos monumentos e igrejas que abrigava, ficou completamente submerso. A lama levou 19 vidas, sonhos, rotinas e transformou drasticamente o cenário da região – tanto o material, visual, como também o ambiental.


(foto: Leonardo Miranda/TV Globo)

Após o rompimento da barragem, a mineradora Samarco e algumas outras instituições se uniram para criar a Fundação Renova. Atualmente, a instituição é responsável pelos trabalhos de indenização e compensação ambiental. Felipe Tieppo, especialista de programas socioambientais da Fundação, conta como estão sendo feitos os trabalhos no local.

“A Fundação Renova tem programas de duas naturezas: compensatória e reparatória. Os programas de natureza compensatória são para compensar o dano que você não pode reparar. Então a gente não atua com os programas compensatórios nas áreas diretamente impactadas pelo rompimento da barragem, ou seja, a gente atua em toda bacia hidrográfica. Então tem áreas nossas de recuperação que se localizam na cabeceira da bacia. Os programas que eu participo não tratam diretamente dessa questão de contaminação química, são os programas reparatórios.”  

(foto: Fundação Renova)

Os trabalhos da Fundação Renova iniciaram em novembro de 2016, com o objetivo de  recuperar cinco mil nascentes e dez mil hectares ao longo de dez anos. Por enquanto, 511 já estão em processo de recuperação.

“De início é uma bacia muito grande, então dificilmente a gente conseguiria generalizar um cenário. Mas o que a gente encontra aqui é uma bacia leiteira, a bacia do Rio Doce, mas ela não é somente destinada a atividades leiteiras. Tem atividades agrícolas também. É uma bacia que tem um histórico bem acentuado de degradação nos últimos cem anos, somado a isso temos as atividades de extração mineral, que vem degradando a bacia. Hoje o Rio Doce tem um cenário de assoreamento bem grave em função das práticas agrícolas, minerárias inadequadas, e é um grande desafio trabalhar a recuperação. Mas é importante entender que a gente não quer recuperar a bacia, mas sim, parte da bacia.”

Segundo Tieppo, os resultados estão longe serem imediatos. Como a destruição foi muito grande, as primeiras conquistas devem vir somente em 20 anos, após a implantação e o monitoramento. O engenheiro também diz que essas primeiras ações dificilmente serão feitas em grande escala, pois segundo ele, é preciso trabalhar primeiro com as áreas onde a população está.

Mudas produzidas para a restauração florestal // foto: Fundação Renova

“A ideia da Fundação Renova é não só atuar nas áreas de proteção permanente e nascentes como um todo, (obviamente que nascente é uma área de preservação permanente também), mas também queremos trabalhar de maneira sistêmica as propriedades rurais. Entendemos que é preciso trabalhar como um todo. Não adianta você trabalhar as áreas de preservação permanente que o Código Florestal exige e ignorar o estado de degradação das demais áreas da propriedade. A nossa ideia é primeiro trabalhar a recuperação e a adequação ambiental da propriedade, trabalhar as infraestruturas gerais da propriedade também, e dar assistência técnica e extensão rural para ajudar a adequar as atividades agrícolas da bacia. Então aonde estivermos atuando, vamos atuar com um pacote que contemple a sociedade e não somente as APPs (Áreas de Proteção Permanente).”

O tsunami de lama também atingiu diretamente as espécias aquáticas. De acordo com um relatório divulgado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, os peixes foram contaminados com arsênio, chumbo e cádmio. Isso provocou o desaparecimento de 26 espécies de peixes da região. Quase dois anos depois, apenas quatro espécies voltaram a ser encontradas.

foto: Ricardo Moraes / Reuters

A Fundação Renova vem se reunindo com a população, ONGs e líderes ambientais para que a resolução dos problemas sejam feitas em equipe. Entretanto, as marcas deixadas por ele não devem ser apagadas tão facilmente.



Com a supervisão do jornalista Vacy Álvaro*
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