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Após fortes chuvas que atingiram Santa Catarina, pesquisadora aponta desafios de recursos hídricos no Estado

O PodAcqua Unesp publica depoimentos de especialistas sobre diferentes aspectos ambientais, sociais e políticos, relacionados à água. Na últimas semanas, o estado de Santa Catarina foi atingido por uma série de temporais e alagamentos que afetaram ao menos 20 cidades. Segundo a Defesa Civil, as ocorrências variam entre alagamentos, deslizamentos, e chuvas intensas. Essas chuvas já afetaram quase quatro mil pessoas no estado e quase 1000 casas foram danificadas. Ao menos uma pessoa morreu, e duas estão desaparecidas até o momento. Nadia Bernardi Bonum, professora da UFSC, aponta os desafios de gestão dos recursos hídricos em Santa Catarina.

“O estado de Santa Catarina apresenta uma hidrodiversidade muito grande. Nós temos a região litorânea que possui características bem específicas, como aumento do nível do mar, ressacas, temos cidades em que existe remanso hidráulico por causa da aceleração do nível do mar, ao mesmo tempo nós temos regiões com o índice pluviométrico bem alto, como é o caso do norte do estado. Um histórico de enchentes, inundações, desastres naturais, deslizamentos, movimentos de massa. No oeste do estado, nós temos casos recorrentes de estiagem, este ano nós tivemos uma estiagem muito grande em setembro, os níveis ficaram bem críticos e alarmantes. Então é muito desafiador em termos de gestão de recursos hídricos. São 11 regiões hidrográficas no estado, com comitês de bacias formados, e cada região do estado tem uma característica muito peculiar. E isso é um desafio para os gestores hídricos. E também nós temos a ilha de Santa Catarina, que tem características completamente diferentes do resto do estado, que também é um desafio muito grande. Se nós pegarmos a lei de recursos hídricos, e tentar aplicar para a ilha, formar comitês dentro da ilha, nós não conseguimos atender os critérios, por exemplo, do percentual de usuários que nós precisamos ter, porque são características muito peculiares de região. Então nós temos um índice pluviométrico muito alto, mas ao mesmo tempo a divisão temporal e espacial, faz com que a gestão de recursos hídricos tenha que resolver problemas muito complexos. Então a gente precisa ter soluções muito criativas para conseguir incluir isso. Então nós temos os dados, as médias históricas, nós podemos usar isso dentro dos modelos hidrológicos para fazer previsões de curto, médio e longo prazo. Mas ainda existem muitas lacunas em todo esse processo. O dado meteorológico que vem como um indício de mudanças climáticas, mas o que isso vai resultar em termos de vazões? Vai atender as vazões minímas, ecológicas e dentro da legislação? Se isso vai realmente se converter em desastres naturais. Ainda existe um mundo a ser investigado entre a informação meteorológica, os indícios de mudança climática e como a população usa essas informações. Então ainda há um caminho a ser feito.”
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