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Welyton Manoel

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Jogo de tabuleiro inspirado em Pokémon ensina biogeografia para estudantes

A febre do Pokémon GO pode até ter passado rapidamente, entretanto, foi tempo suficiente para que o aplicativo resgatasse as memórias do clássico desenho e inspirasse alguns projetos. Você já viu na Web Rádio Água uma plataforma com os mesmos moldes, porém, no lugar das criaturinhas poderosas, os personagens principais eram animais endêmicos da Mata Atlântica.

Dessa vez, foram estudantes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu (PR), que pegaram a ideia e criaram um jogo de tabuleiro para ensinar conceitos de Biogeografia.

No tabuleiro, o jogador pode “viajar” por um mundo de habitats - aquático, deserto, floresta, montanha e vulcão - espalhados em um mapa de ilhas. E são esses pontos que se assemelham ao universo Pokémon, pois foi durante as explicações desses conteúdos em sala, que os seis acadêmicos de Ciências da Natureza tiveram a ideia de fazer esse projeto.



O professor orientador da iniciativa, Peter Löwenberg Neto, explica o que é possível aprender com o jogo de tabuleiro.

“O jogo permite ensinar o que chamamos de 1ª Lei da Biogeografia. Essa lei nos diz que apesar dos continentes terem habitats parecidos, ou seja, nós temos florestas na América do Sul, África, Austrália, e a composição de espécies nessa floresta é diferente. Então se compararmos a savana africana com um bioma análogo, como é o Cerrado ou até mesmo as regiões áridas da Austrália, vamos encontrar em cada uma espécies endêmicas. A dinâmica do jogo propicia que os alunos entendam ou tomem conhecimento dessa 1ª lei.”

O  “Pokégrafia” possui todos os elementos de um jogo clássico de tabuleiro e algumas referências ao universo dos monstrinhos de bolso: pokébolas, cartas de pokémons com local de ocorrência (ilha e habitat), cartas de “sorte” ou “revés”, peões e dados, um mapa de ilhas personalizadas com os diferentes habitats (Kanto e Johto). O objetivo do jogo é capturar o maior número de pokémons e deslocar o peão até a casa final.



Ao término das partidas, os jogadores saem com uma grande coleção de conceitos.

“Na dinâmica do jogo nós temos algumas cartas de pokémons que são cosmopolitas, e aí entra outro conceito: nós temos o conceito de endemias, que são espécies exclusivas daquela área, e nós temos as cosmopolitas, que ocorrem em todas elas, e na dinâmica do jogo acabam servindo como coringas. Então de modo implícito é possível ensinar essas leis. Cada ilha tem uma composição de espécie diferente apesar dos mesmos habitats. E de modo explícito, a dinâmica do jogo envolve um sistema de sorte ou revés, e na leitura das cartinhas, apresentamos informações e definições de conceitos.”  

O jogo foi escolhido como melhor material didático durante o 1º Encontro de Licenciaturas realizado pela Unioeste – Campus Foz do Iguaçu. Um dos acadêmicos criadores do tabuleiro irá testá-lo em uma sala de aula para conferir a receptividade dos alunos, para quem sabe, desenvolvê-lo em maiores quantidades para um futuro.

Com a supervisão do jornalista Vacy Álvaro*



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AmanaKatu: o projeto paraense que utiliza a água como forma de mudar realidades sociais

No ano em que o Brasil sedia o Fórum Mundial da Água, a Web Rádio Água destaca boas práticas relacionadas aos recursos hídricos espalhadas pelo País. A nossa série especial começa na região Norte, onde é promovido o projeto AmanaKatu. O nome vem do tupi-guarani e significa “chuva boa”, uma importante referência ao trabalho que desenvolvem.

A fabricação de qualquer equipamento, seja ele eletrônico ou manual, exige pesquisa, preparo, testes e ação. O produto final não ganha vida sem passar por cada uma dessas etapas. Para fabricar um novo mundo, o processo é o mesmo. E é isso que jovens vem fazendo na região Norte do Brasil, mais precisamente em Belém, capital do Pará, com a fabricação de mini-cisternas para o reaproveitamento de água.



A chuva, mesmo elemento que ajuda a dar nome ao projeto, é fundamental no trabalho e serve como matéria-prima para que as cisternas funcionem. Uma ajuda para resolver um grave problema da região: a falta de água potável. Marivana Figueredo de Almeida, líder do projeto, relata a situação da água na localidade onde mora.

“Apesar de fazermos parte da Região Amazônica, que é uma região abundante em água, ainda existe um paradoxo. Muita gente ainda sofre com a inacessibilidade da água, e nós surgirmos justamente para atender isso. Então desenvolvemos um sistema para a população urbana, de fácil instalação, porque a ideia é justamente essa: fazer a pessoa que comprou conseguir instalar.”

O projeto foi inspirado no Programa Sempre Sustentável, que também trabalha com a preservação da água e da natureza. Hoje o AmanaKatu faz parte da Enactus, uma instituição criada para apoiar empreendedores universitários.

Antes de ter esse apoio, eles participaram de alguns concursos e editais. Um deles foi o Desafio Inove+, considerado o maior prêmio de empreendedorismo universitário do estado do Pará. Durante seis semanas, o grupo se dedicou ao desenvolvimento do projeto, fabricando protótipos e montando modelos de negócios. Entretanto, o diferencial do AmanaKatu não está na engrenagem mecânica do produto final, mas sim na parte humana que move o trabalho. Marivana explica melhor:



“Nós trabalhamos com uma comunidade de jovens de um movimento chamado República de Emaus, que tem aqui no norte. Esse jovens são capacitados para desenvolver a cisterna, e não ficarem só nisso. A ideia é que no futuro eles sejam donos da própria empresa. Gerenciem e façam tudo o que um empresário faz dentro do projeto AmanaKatu. Estamos capacitando eles para isso. São jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica e não tem tanto acesso à educação quanto a gente gostaria. Estamos dando capacitação para eles com esse objetivo. Não queremos que eles só montem as cisternas. Queremos que eles gerenciem e busquem outras coisas nas vidas deles. Que procurem novos horizontes.”

Cerca de vinte jovens fazem parte da equipe de fabricação das cisternas que ainda está  em fase de validação. Apesar de já terem sido instaladas em algumas residências,  a iniciativa está em fase de aprimoramento. Segundo a líder, o objetivo é produzir vinte sistemas até junho. Marivana deixa ainda um recado que precisa sair do Norte e atingir todas as outras regiões do mundo:

“Nós temos que preservar nossa água. Temos que fazer um uso consciente para termos um futuro melhor. A partir da água podemos ter ações empreendedoras e mudar vidas. A gente pode fazer isso através dos jovens. Salvar vidas é muito importante e fazer sistemas de captação de água da chuva não é uma perda de tempo. É algo muito importante para a nossa sociedade, preserva a energia da casa e muda a vida de pessoas. Estamos usando sistemas de captação de água da chuva não só para universalizar a água, mas também para mudar vidas de jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade socieconômica.”

Juntamente com outras 60 experiências de diversas partes do mundo, o projeto AmanaKatu estará representado no espaço “Mercado de Soluções” durante o Fórum Mundial da Água. Os trabalhos mostrarão as tecnologias inovadoras com objetivo de compartilhar água de forma sustentável. Além disso, o time terá algumas reuniões com possíveis parceiros de outros estados.

Com a supervisão do jornalista Vacy Álvaro*
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Protótipo de veiculo movido a biometano é apresentado no Show Rural

Transportar cargas no agronegócio pode ficar mais barato e sustentável. Durante o 30° Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR), a Itaipu Binacional e o Centro Internacional de Energias Renováveis - Biogás (CIBiogás), apresentaram o CH4PA, o protótipo de um  veículo utilitário movido a biometano.

Com capacidade para carregar até uma tonelada, autonomia de 200 quilômetros e velocidade máxima de 60 km/h, o veículo foi desenvolvido em parceria com a empresa austríaca Spirit Design, com recursos da Agência de Desenvolvimento Austríaca (ADA), apoio da Itaipu Binacional e do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). Rodrigo Régis, diretor presidente do CIBiogás,  ressalta a importância do protótipo:

“O CH4PA está aqui no Show Rural para apresentarmos a agricultura do futuro. Sem dúvida nenhuma, no futuro veremos cada vez mais o agronegócio usando como matéria-prima para o deslocamento dos veículos e suas logísticas, os resíduos gerados por ela mesma. A gente acredita que o biometano e essa proposta tem muito potencial no mercado.”

O CH4PA é abastecido com biometano, proveniente do biogás que é produzido a partir da decomposição de dejetos de animais ou outros resíduos orgânicos. O uso do biocombustível também ajuda a reduzir a emissão de gases de efeito estufa. O diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, Newton Kaminski, destacou a importância de promover o desenvolvimento sustentável do agronegócio na região Oeste do Paraná.

“Queremos trazer essa tecnologia e testá-la em campo e depois oferecer para a comunidade, melhorando a qualidade e a disponibilidade de água no reservatório, transformando a região na melhor produtora do agronegócio do Brasil.”

O próximo passo do projeto é a construção do segundo protótipo com tecnologia nacional ou tropicalizada e a produção em escala no Brasil. A expectativa é que no final de 2019 tenha início o processo de industrialização do CH4PA.

Com a supervisão do jornalista Vacy Álvaro*
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